A Escola do Futuro

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As mudanças no futuro do trabalho têm causado ansiedade e preocupação e, naturalmente, os olhares da sociedade voltam-se para as escolas, em especial as públicas. Muitos diriam que nossas maiores riquezas estão lá, nosso futuro bem-estar e até mesmo o pagamento da nossa previdência social, que dependerá também da escola que oferecemos aos nossos jovens.

A mudanças que batem agora à porta do mundo do trabalho são as da era do conhecimento, agora aplicada ao trabalho das pessoas. A cada dia ouve-se mais sobre os empregos que desaparecerão, os que não imaginamos que existirão, além de listas de carreiras que devem ser riscadas das opções dos jovens. Aumenta-se a incerteza sobre o futuro.

O problema é que Indústria 4.0, Inteligência Artificial, Redes Neurais e Big Data são palavras que já saíram do mundo dos laboratórios e ocupam cada vez mais espaço na mídia, desde reportagens até painéis de propaganda nos aeroportos.

O dados do Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (IDEB), o principal indicador da qualidade da educação básica no Brasil, divulgados pelo MEC neste ano de 2018, informa em seu próprio site que nenhum dos estados atingiu a meta para o Ensino Médio, ficando em 3,8 em uma escala de 10, quando a meta seria 4,7. No Ensino Fundamental, os anos iniciais avançam lentamente e os anos finais apresentam grandes oscilações nos resultados dos estados, alguns com bons avanços, outros com resultados muito abaixo do esperado.

Cruzando os cenários da escola pública brasileira e do novo mundo do trabalho, chegamos a uma pergunta: nossas escolas estão preparando os alunos para o futuro? A resposta da maioria da sociedade é que certamente não. Agora, uma pergunta prática: nossa escolas poderiam preparar melhor nossos alunos para o futuro? Creio que a maioria concordaria que sim, com certeza. 

A questão seria sobre quais as mudanças viáveis, especialmente no curto prazo, pois as crianças não param de crescer e em um piscar de olhos, mais uma geração se vai e a educação escolar segue com dificuldades de criar pontes com o mundo real para os jovens.

Poderíamos pensar que, naturalmente a escola seria um lugar de preparação para o futuro. Talvez pudéssemos desde a perspectiva de pontes para o futuro, que nos ajuda a entendê-la como uma transição entre o passado e o futuro. 

Do passado, temos o conhecimento gerado pela humanidade, formatado em disciplinas e conteúdos, que facilitam a nossa vida e nos permitem avançar em altos níveis de especialização necessários para a solução dos mais diversos problemas. Cabe ressaltar que a natureza não funciona assim, todas as áreas estão lá, os recortes são uma invenção humana.

Para o futuro, é preciso preparar-se para o incerto. Hoje, a melhor estratégia passa pelo desenvolvimento de habilidades do século 21, que podem formar a base para lidar com a dinâmica do futuro. Ter pensamento crítico, pró-atividade, trabalhar em equipe, ser criativo, saber resolver problemas e fazer perguntas estão no topo das habilidades em qualquer parte do mundo. É fácil constatar que grande parte das pessoas conquista um trabalho pelo conhecimento técnico, porém não permanecem nele ou avançam na carreira pela falta das habilidades do século 21.

A escola do futuro, viável para a realidade brasileira, passa pelo apoio e valorização dos professores que são os principais construtores das pontes para o futuro dos alunos. O material das pontes deveria ser a vivência, a experiência. 

Oferecer oportunidades de conectar as tradicionais matérias às habilidades do século 21, às ciências, matemática, tecnologia e engenharia, torna a escola mais atraente e engajadora para os alunos. Sim, é possível avançar muito a partir do que já temos, de forma simples e factível.

Apoiar professores com formações que conectem os conteúdos que precisam ser aprendidos à realidade, ou seja, deixando claramente para que servem, aliados à oportunidades de iniciação à pesquisa e desenvolvimento de projetos, faz com que eles virem estrelas, primeiramente aos olhos dos alunos e em seguida, da sociedade.

A escola brasileira do futuro deveria ser a escola da oportunidade. Oportunidade de aprender e ensinar de forma prática, colocando mais a mão-na-massa, com contexto e significado aliada à criação de um lastro forte de habilidades que permitam a qualquer pessoa adaptar-se e aprender por toda a vida.

Ousar ampliar as oportunidades para professores e alunos nas escolas nos levará ao papel de protagonistas do desenvolvimento econômico e social no Brasil e no mundo. Avançamos na inclusão escolar, precisamos acelerar na qualidade. Capacidade não nos falta.

Marcos Paim, professor e diretor do programa STEM Brasil da ONG Educando. 

Sobre Marcos Paim – Diretor STEM Brasil e STEM México

Marcos Paim é criador e diretor dos programas STEM Brasil e STEM México, promovidos pela organização internacional Educando, além de Chief Technology Officer (CTO) da instituição desde 2009. Antes disso, trabalhou no Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LEC/UFRGS), onde treinou professores e gerenciou projetos educacionais para a Organização dos Estados Americanos (OEA) e para o Ministério de Educação (MEC). Paim também gerenciou projetos educacionais para o Grupo Positivo, Instituto Tecnológico do Paraná (TECPAR) e Prefeitura de Curitiba. É graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com especialização em Física.

Categories: STEM

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